Intelectual e escritor baiano, James Amado morreu às 13h deste domingo, 1º , em Salvador. Aos 91 anos, ele teve falência múltipla de órgãos. Ele, que tinha quatro filhos e sete netos, era o irmão caçula do também escritor Jorge Amado (1912- -2001).

O corpo de James está sendo velado na Capela F do cemitério Jardim da Saudade, em Brotas, e será sepultado nesta segunda-feira, 2, às 17h. Conforme Elisabeth Ramos, sobrinha do escritor, desde 2008 ele vinha sofrendo com problemas pulmonares.

"Todo mundo que envelhece começa a ter problemas de saúde. Estamos tristes, mas não desesperados. Todos lembramos o humor cáustico dele, as coisas boas. Ele era do bem, uma pessoa muito querida, amado mesmo", disse.

Literatura

Entre os trabalhos literários de James, um de especial destaque foi o romance Chamado do Mar, que tem a cidade de Ilhéus, onde nasceu, em 1922, como pano de fundo. Escreveu também o livro O Levante do Posto, romance que aborda questões políticas.

Para a poeta e diretora da Fundação Casa de Jorge Amado, Myriam Fraga, o livro merecia ter sido editado novamente devido a sua importância. A obra reproduz, em uma paisagem regional e típica, a praia e a economia do cacau na região, além dos problemas humanos, marcados pelas injustiças sociais.

"James era muito inteligente, especial. Aprendi bastante com ele. Para mim, é uma perda irreparável", lamenta ela.

ALB

Membro da Academia de Letras da Bahia (ALB), o escritor ocupou, por 23 anos, a Cadeira nº 27, que, antes dele, foi ocupada pelo jornalista e acadêmico Antônio Loureiro de Souza, que fez parte da equipe de A TARDE.

"Ele era um dos mais participativos na academia. Era um excelente tradutor e intelectual. Sua obra Chamado do Mar teve grande repercussão", disse o presidente da ALB, Aramis Ribeiro Costa.

Formado em sociologia e política, James foi atuante na política e tinha posições firmes na defesa da democracia e na luta pela liberdade. Atuou por vários anos no jornalismo do Rio de Janeiro.

"Somos da mesma região e tradição de luta e esforço pelas causas sociais. Era um grande amigo, afetuoso. Toda semana, nos encontrávamos na Ceasinha, nas quintas do Edinho para conversar", lembra o escritor, poeta e membro da ALB Florisvaldo Mattos.

O escritor e jornalista Ruy Espinheira Filho disse que James foi quem melhor recuperou a obra de Gregório de Matos: "Sua morte é uma perda imensa, empobrecimento para a cultura baiana".

Da A tarde