O Fluminense refez o caminho que sua torcida tanto temia. Neste domingo, o time do técnico Dorival Júnior venceu o Bahia por 2 a 1, na Arena Fonte Nova, mas foi mais uma vez rebaixado à Série B do Campeonato Brasileiro. Assim como na década de 1990, quando passou por vexames seguidos, o time do Rio de Janeiro se despediu da elite nacional.

A situação do Tricolor das Laranjeiras era dramática antes mesmo de iniciar esta última rodada, já que o clube precisava da vitória em Salvador e ainda contar com tropeços de Coritiba e Vasco. Apesar de ter cumprido seu dever, o Fluminense foi rebaixado porque o Coxa venceu o São Paulo e se manteve na Série A.

Com Fred nas tribunas, em função da lesão muscular que o tirou de boa parte do campeonato, o Fluminense saiu atrás no placar, já que o gol de William Barbio deu vantagem ao Bahia. No segundo tempo, quando partiu no desespero para o ataque, o Tricolor virou com Wagner e Samuel, mas não havia mais nada a ser feito.

As quedas atormentaram também o clube das Laranjeiras na última década do século passado. No Brasileirão de 1996, o Tricolor terminou na zona de rebaixamento, mas foi mantido na elite na temporada seguinte pela organização. Porém, o Fluminense repetiu os erros em 1997 e, desta vez, caiu para a segunda divisão.

No ano seguinte, a péssima campanha na Série B derrubou o time do Rio de Janeiro para a terceira divisão nacional. Assim, em 1999, o Fluminense jogou a Série C, sendo campeão. Em vez de ter subido para a segunda divisão, o time foi direto para a elite novamente, participando da Copa João Havelange de 2000.

O jogo – O Fluminense começou a partida quase aproveitando um presente do adversário. Fernandão perdeu a bola na saída do campo defensivo, e Rafael Sobis avançou para chutar, ao lado da meta defendida por Marcelo Lomba. Na resposta dos donos da casa, Talisca arriscou a batida de fora da área, e Diego Cavalieri espalmou para dentro da área. Marquinhos chegou pela direita e finalizou no rebote, exigindo boa defesa do goleiro.

O Fluminense tentou se manter tranquilo para buscar o ataque, mas mostrava problemas no ataque. Wagner ganhou a bola na entrada da área e chegou em boas chances, mas arrematou fraco, facilitando para o goleiro. Na jogada seguinte, Gum pegou bola rebatida na área e foi travado no momento da finalização.

O Bahia seguiu mais cauteloso, priorizando a defesa. Assim, o time visitante tinha a esperança de pressionar, inclusive Kenedy chegou bem pela direita e cruzou rasteiro, mas Fabrício Lusa afastou. Mesmo em situação desesperadora, o time de Dorival Júnior não conseguia criar chances de perigo.

Assim, o time de Salvador se sentiu à vontade para avançar. Aos 29, William Barbio arriscou a batida de fora da área e viu Diego Cavalieri se esticar para salvar. Pouco depois, Fernandão subiu mais do que a defesa e cabeceou para fora. Como o Fluminense continuou arriscando apenas em batidas fracas, o Bahia intensificou a parte ofensiva. Talisca arrematou de fora da área e, mais uma vez, o goleiro espalmou.

Porém, aos 41, o time da casa abriu o placar. Marquinhos cruzou rasteiro da esquerda, e William Barbio se livrou da marcação para chutar e balançar as redes. Antes do fim do primeiro tempo, o técnico Cristóvão Borges ainda foi obrigado a tirar Titi, lesionado, para colocar Feijão.

No intervalo, o técnico Dorival Júnior tirou o lateral Igor Julião para a entrada de Samuel. Logo na primeira jogada da etapa, o Fluminense quase empatou. Rafael Sobis recebeu na área, driblou o goleiro e, diante do gol aberto, finalizou para fora, desperdiçando oportunidade inacreditável.

Na resposta dos donos da casa, William Barbio puxou contragolpe pela direita, deixou o marcador para trás e finalizou rasteiro, para defesa de Diego Cavalieri, enquanto Fernandão tinha esperança de concluir. Sem alternativa, o Fluminense partiu no desespero ao ataque e conseguiu empatar. Aos dez, Rafael Sobis ganhou de dois adversários pela direita e cruzou rasteiro para a pequena área, onde Wagner se antecipou e chutou para fazer o gol.

Depois disso, Cristóvão Borges tirou Marquinhos Gabriel para colocar Diones. O Fluminense continuou melhor em campo, enquanto o Bahia se armou para responder em contragolpes. Aos 37 minutos, Samuel aproveitou cobrança de falta na área e mandou de cabeça para as redes. Porém, quase ao mesmo tempo, o Coritiba teve confirmada sua vitória sobre o São Paulo, confirmando a queda do Tricolor das Laranjeiras.

Atlético-PR vai à Libertadores e rebaixa Vasco em jogo com briga de torcidas

Em meio à confirmação da classificação do Atlético-PR para a Libertadores, com a impiedosa goleada por 5 a 1, dois capítulos trágicos do futebol brasileiro foram escritos neste domingo: a a briga generalizada de torcedores, que interrompeu o jogo em Joinville por uma hora e dez minutos, e o segundo rebaixamento do Vasco, que precisava vencer e sucumbiu à limitação técnica que assombrou o time ao longo do Campeonato Brasileiro. O artilheiro Ederson foi o herói da tarde, com três gols, e Marcelo e Paulo Baier completaram a grande exibição.

O resultado deixou o Furacão na terceira posição, com 64 pontos em campanha digna de aplausos. O Rubro-Negro, porém, terá de passar pela chamada pré-Libertadores para entrar na fase de grupos de fato. Já o Cruz-Maltino repete o calvário de cinco anos atrás e vai colher os cacos de uma péssima temporada, imerso em crises extracampo. O clube fechou em 18º lugar, com 44 pontos. Caso derrotasse o rival, fugiria ao ultrapassar Flu e Criciúma.

Tão marcante quanto tais desfechos opostos para as respectivas camisas foi o episódio trágico que ocorreu a partir dos 17 do primeiro tempo, quando um grupo de atleticanos e outro de cruz-maltinos protagonizaram cenas de selvageria, com trocas de socos e pontapés. A polícia demorou a agir e, somente depois de alguns minutos do início da confusão, alguns oficiais apareceram para conter o tumulto. A justificativa é a de que uma empresa de segurança foi contratada pelo mandante para trabalhar no evento e ficaria na arquibancada.

Quatro pessoas removidas pela equipe médica foram hospitalizadas, três delas em estado grave, mas não correm risco de morte, segundo a direção do Hospital São José, em Joinville. Os jogadores mostraram abalo ao ver a situação. O zagueiro Luiz Alberto, por exemplo, chorava copiosamente e lamentou a tragédia na Arena Joinville.

Primeira etapa manchada e de três gols

O jogo começou com atraso de apenas dois minutos em relação ao horário marcado, evitando prática lamentavelmente comum em rodadas decisivas. Mas a batalha em Joinville – que ganhou triste ar literal – levaria mais de três horas para terminar. Para apimentar a dramática situação do Vasco e clarear o cenário para o Atlético-PR, Paulo Baier bateu falta, a bola passou rente a Manoel e Renato Silva e morreu no canto esquerdo, após Alessandro não alcançar.

Não houve muito futebol até a paralisação por conta do grave episódio nas arquibancadas. Marcação cerrada, faltas e times nervosos davam o tom. Aos 17, a interrupção aconteceu e a bola só voltou a rolar, com os cariocas a contragosto, uma hora e dez depois. Mas os ânimos não haviam sido totalmente acalmados. Ficou claro o reflexo das cenas no nível de concentração dos jogadores. Virou uma pelada, cheia de erros, impedimentos e sem respeito a esquemas táticos.

Como consequência disso, chances claras de gol foram criadas, tornando a partida aberta. Ederson e Everton perderam para o Furacão, em sequência, e pelo lado cruz-maltino, sempre com Marlone puxando pela esquerda, dois bate rebates na marca do pênalti não tiveram conclusão. Mas o Vasco insistiu e chegou ao empate através de Edmílson, de ombro e no susto, após cruzamento forte de Yotún, aos 39. Só que mal deu para celebrar. Em contra-ataque, Baier achou Ederson na área, que, de cabeça, marcou após escorregão de Alessandro: 2 a 1.

Gazeta Esportiva